CICADA Espaço de Arte inaugura em São Paulo com “Tellus”, exposição de Cris Marcos e Leila Bohn
Novo espaço dedicado à arte contemporânea abre as portas no dia 19 de setembro, na Vila Mariana, com exposição que investiga terra, memória, ancestralidade, corpo e transformação. A mostra tem curadoria do crítico de arte Oscar D’Ambrosio.
São Paulo ganha, no próximo sábado, 19 de setembro,
um novo endereço dedicado à arte contemporânea. O CICADA Espaço de Arte inaugura
suas atividades na Vila Mariana com a exposição “Tellus”, reunindo
trabalhos das artistas Cris Marcos e Leila Bohn, sob curadoria de Oscar
D’Ambrosio. A abertura acontece das 15h às 19h, com entrada do
público para conhecer simultaneamente a mostra e a proposta do novo espaço
cultural.
“Tellus” nasce de um diálogo entre duas pesquisas
artísticas distintas que encontram na matéria, na memória e na transformação um
território comum. O título remete à palavra latina Tellus,
associada à Terra como solo fértil, origem e força geradora. Mais do que
elemento físico, a terra surge na exposição como linguagem simbólica capaz de
guardar marcas, sedimentar o tempo e revelar experiências individuais e
ancestrais.
Para o curador Oscar D’Ambrosio, a exposição
estabelece “um pacto telúrico” entre as pesquisas visuais das duas artistas.
Sob o signo de Tellus, Cris Marcos e Leila Bohn assumem, segundo ele, a
condição de “arqueólogas da própria existência”, construindo mapeamentos de
memórias e uma espécie de topografia de percepções invisíveis.
A aproximação entre as duas produções permite ainda
investigar o conceito de matriz — simultaneamente molde gerador de
formas e metáfora do útero e da ancestralidade humana. Nesse percurso, o tempo
deixa de ser apenas cronológico para adquirir peso, textura e densidade.
“O tempo ganha, nas obras, peso, textura e densidade pelas
transformações que ocorrem na terra fecunda de cada uma delas. Surge assim um
diálogo entre a cronologia do mundo e a biografia do corpo”, afirma D’Ambrosio.
Cris Marcos: a argila como território de memória
Artista visual nascida em São Paulo, em 1969, Cris Marcos
desenvolve uma pesquisa centrada na argila como matéria de memória,
transformação e presença. Sua produção transita especialmente pela cerâmica e
pela argilotipia, técnica de impressão desenvolvida pela própria artista
a partir de matrizes de argila úmida pigmentada, modeladas manualmente e
pressionadas sobre papel.
Em seu processo criativo, corpo, matéria e tempo se
encontram. Cris valoriza justamente os momentos em que a forma ainda permanece
instável e em que o gesto humano pode ser percebido. Fissuras, falhas, marcas e
acidentes não são apagados: passam a integrar a linguagem da obra e a registrar
as transformações sofridas pela matéria.
A artista recebeu o Prêmio Bronze no 4º Salão Ceramistas
do Brasil, em 2025, e o Prêmio Destaque na 48ª Semana de Portinari,
em 2023, com a obra A Rara, apresentada no Museu Casa de Portinari. Foi
também propositora e curadora do projeto As Duas Faces de Exu,
selecionado para a Bienal Black 2024. Trabalhos de sua autoria integram acervos
institucionais, entre eles o da Universidade Estadual Paulista “Júlio de
Mesquita Filho” (UNESP) e o Museu Histórico Dr. Renato Cordeiro, em Birigui.
Cris Marcos integra ainda o coletivo Trama Errante,
formado por mulheres artistas de diferentes regiões brasileiras, e é a fundadora
do CICADA Espaço de Arte.
Leila Bohn: corpo, memória e deslocamento
Nascida em Novo Hamburgo (RS), em 1967, Leila Bohn
vive e trabalha entre Gramado, no Rio Grande do Sul, e Raleigh, na Carolina
do Norte, Estados Unidos. Sua produção é marcada pelo trânsito entre
diferentes linguagens, reunindo pintura, sutura, colagem, têxtil, fotografia,
desenho e instalação.
A experimentação ocupa lugar central em sua prática. Cores,
gestos, texturas e formas constituem campos nos quais aparecem questões
relacionadas à impermanência, dualidade, estranhamento e às regiões de sombra
da experiência humana.
Em sua pesquisa, Leila tensiona especialmente as
marcas do ser mulher, as heranças ancestrais e os vestígios de narrativas
interrompidas. Memória, corpo e matéria se entrelaçam a questões de
pertencimento e não pertencimento, atravessadas pela experiência de viver e
produzir entre Brasil e Estados Unidos.
Esse deslocamento geográfico e cultural ganha dimensão
simbólica em sua obra. Identidades deixam de aparecer como construções fixas e
passam a ocupar zonas de suspensão, fratura e transformação. Marcas, cicatrizes
e experiências vividas são ressignificadas como parte de um processo permanente
de compreensão de si e das relações com o mundo.
Um novo espaço para a arte em São Paulo
A abertura de “Tellus” marca também o nascimento do CICADA
Espaço de Arte, idealizado como um ambiente aberto à pluralidade das
práticas artísticas contemporâneas e ao encontro entre artistas, obras e
público.
A proposta é construir um espaço vivo e em permanente
transformação, no qual diferentes linguagens possam emergir, estabelecer
diálogos e produzir novas experiências. A própria ideia de metamorfose, tão
associada à cigarra e presente na identidade do espaço, encontra
correspondência na exposição inaugural: matéria, tempo, memória e criação estão
em contínuo movimento.
Assim, “Tellus” funciona também como uma declaração
inaugural do CICADA. Ao voltar o olhar para a terra — para aquilo que
guarda vestígios, recebe marcas, gera e transforma —, a exposição estabelece os
primeiros fundamentos simbólicos do novo espaço.
“Arte que emerge. Presença que reverbera.” É com esse
princípio que o CICADA inicia sua trajetória no circuito artístico
paulistano.
Serviço — Exposição “Tellus”
Inauguração do CICADA Espaço de Arte
Artistas: Cris Marcos e Leila Bohn
Curadoria: Oscar D’Ambrosio
Abertura: 19 de setembro de 2026 (sábado), das 15h às 19h
Local: CICADA Espaço de Arte — Rua Dona Inácia Uchoa, 51, sala 01, Vila
Mariana, São Paulo (SP)
Instagram Cris Marcos: @crismarcos.arte.ceramicaterrae
Curadoria: @oscardambrosioinsta
Assessoria de Imprensa: Gisele Faganello Lahoz



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